Uma ex-servidora da Secretaria de Saúde de Passo Fundo, no norte do Estado, foi presa preventivamente nesta quinta-feira (17) durante a Operação Falsum Testimonium. A mulher de 56 anos é investigada por falsificar e comercializar atestados médicos, certificados, diplomas e históricos escolares.

Segundo a Polícia Civil, foram cumpridos um mandado de prisão preventiva e nove de busca e apreensão em endereços ligados à investigação. As medidas foram realizadas em locais relacionados à investigada, familiares, possíveis intermediários e pessoas que teriam comprado os documentos.

— O esquema tinha uma tabela de valores de acordo com o número de dias de atestados. Começava com um dia, R$60 reais, e terminava com cinco dias a R$140 reais. Diplomas de ensino também eram falsificados, por volta de R$300, tanto de EJA, ensino médio, diplomas de atendimento especial a pessoas portadoras de deficiência, de ensino superior… —  relatou a delegada da 2ª Delegacia de Polícia, Carolina Goulart.

A investigação começou após a Polícia Civil receber uma denuncia anônima sobre a venda dos documentos. Os agentes suspeitaram da quantidade de saída de envelopes por aplicativos de entrega do endereço relacionado à investigada. Em abril, já haviam sido cumpridos mandados de busca e apreensão no local. 

A partir do material apreendido, os policiais analisaram mais de 700 arquivos e fotografias, além de centenas de mensagens. 

Compradores identificados

Segundo a Polícia Civil, cerca de 200 pessoas que teriam comprado documentos falsos foram identificadas até o momento. Todas de Passo Fundo. O número pode aumentar com o avanço da investigação.

Os compradores serão chamados para prestar esclarecimentos na 2ª Delegacia de Polícia. Dependendo da conduta de cada um e dos elementos reunidos na investigação, eles poderão responder pelo crime de uso de documento falso, com pena de até cinco anos de prisão.

A polícia também busca identificar outros possíveis intermediários, fornecedores e beneficiários do esquema.

A mulher presa foi localizada em casa, em um condomínio residencial do bairro Petrópolis, e encaminhada ao Presídio Regional de Passo Fundo, no norte do RS. A operação contou ainda com apoio do Ministério Público do Trabalho, que auxiliou na identificação de empresas onde alguns dos compradores de atestados médicos falsos trabalhavam.

*GZH Passo Fundo