câncer de colo de útero é um dos poucos que disponibiliza vacina para a prevenção e, mesmo assim, é o quarto que mais afeta mulheres no RS. Uma pesquisa do Instituto Nacional do Câncer (Inca), estima que cerca de 690 mulheres gaúchas devem receber o diagnóstico positivo neste ano.

A maioria dos casos estão ligada à infecção pelo papilomavírus humano (HPV). A infecção é prevenível com vacinação, e seu quadro mais grave pode ter risco reduzido por exames regulares e tratamento adequado.

Conforme o médico cirurgião Lucas Zanini, que atua na área da ginecologia oncológica no Hospital de Clínicas de Ijuí, no noroeste do Estado, mesmo com vacina e formas de prevenção claras, muitas pacientes são diagnosticadas já em fase avançada da doença:

— A vacina é muito importante. Ela já demonstrou que diminui o risco de lesões pré-invasivas e diminui a incidência do câncer de colo uterino. Mesmo com a disponibilidade na rede pública de saúde, a gente continua a se deparar em consultório com alta incidência desse tumor. É preciso estar atento e seguir as medidas de prevenção. 

O acompanhamento mais recente feito no Estado, em 2024, mostrou que a situação exige atenção. O Rio Grande do Sul registrou o 4º maior número de novos casos de câncer de colo do útero no país, segundo dados do Painel Oncologia, do Ministério da Saúde.

Somente em 2024, foram registrados 1.426 casos e 449 mortes em decorrência deste tipo de câncer no Estado. As faixas etárias mais acometidas são de mulheres entre 40 e 49 anos (426 casos), seguido de 30 a 39 anos (325 casos). 

Sintomas e como prevenir

O HPV é um vírus transmitido sexualmente quando há contato com pele ou mucosa infectada. Alguns subtipos causam verrugas e lesões enquanto outras podem causar tumores no colo do útero, anus, pênis e garganta. Em todos, há cura com tratamentos e a vacina é a forma de prevenção mais efetiva.

No caso específico do colo de útero, muitos casos são assintomáticos, mas ainda assim podem transmitir o vírus. como explica o médico Zanini:

— Geralmente a infecção é assintomática nos estágios iniciais. Pacientes com sintomas têm sangramento ou corrimento com odor, esses são os mais comuns. Mas, em pacientes que adquirem o vírus de baixo risco, a sintomatologia pode se manifestar através de verrugas genitais. Geralmente, vírus de baixo risco não evolui para câncer de colo uterino — comenta o médico.

Embora a infecção inicial seja silenciosa, sintomas podem surgir em fases mais avançadas. Os mais comuns são:

As primeiras manifestações, como verrugas genitais, podem surgir em semanas ou meses. Mas as lesões precursoras do câncer podem demorar anos para surgirem.

Por isso, a recomendação é de realizar o exame preventivo a cada três anos, e o teste de HPV a cada cinco.

Vacinação

vacina contra o HPV é a principal estratégia para evitar o câncer de colo do útero. Ela também previne outros tipos de tumores, como de ânus, pênis, boca e orofaringe.

Na rede pública, o Sistema Único de Saúde (SUS) garante a vacina para meninas de nove a 14 anos e imunossuprimidos. O público infantil e adolescente foi escolhido para que o sistema imunológico esteja completo antes de começar a idade sexual, dando ao organismo a capacidade de responder melhor à exposição ao vírus.

Podem se vacinar de forma gratuita pelo SUS:

*GZH Passo Fundo