A indústria farmacêutica nacional EMS oficializou os valores comerciais de sua versão da semaglutida, registrando um preço de partida de R$ 452 por caneta aplicadora. Conforme o cronograma de distribuição divulgado pela companhia, o medicamento estará disponível para os consumidores nas redes de farmácias de todo o país a partir do dia 15 de junho de 2026.

A chegada do produto brasileiro ao mercado gera uma expectativa de expansão e democratização no acesso ao tratamento, cujo custo mensal na versão de referência chegava a atingir a faixa de R$ 1.000.

A semaglutida é regulamentada para o controle clínico da obesidade, e a sua incorporação no Sistema Único de Saúde chegou a entrar na pauta de debates das autoridades sanitárias, mas a proposta acabou recusada na ocasião devido ao alto impacto orçamentário da substância.

A apresentação da EMS configura-se como o primeiro modelo nacional homologado após a expiração dos direitos de patente que pertenciam com exclusividade à dinamarquesa Novo Nordisk. Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária autorizou que o teto de preço máximo fixado para a caneta brasileira seguisse a mesma tabela praticada para os medicamentos Ozempic e Wegovy, cujo patamar se aproxima de R$ 800.

Todavia, a fabricante brasileira optou por posicionar comercialmente o seu produto com valores no mínimo 30% mais econômicos, movimento estratégico que dialoga com as oscilações do mercado.

Após o fim do monopólio da patente, a própria Novo Nordisk promoveu reduções tarifárias para manter a competitividade diante do volume de solicitações de genéricos nacionais, sendo que a Anvisa mantinha sob análise ao menos 17 pedidos correlatos até o começo deste ano.

Políticas de descontos progressivos e volume de abastecimento inicial

Com as diretrizes operacionais detalhadas pela empresa, os preços finais ao consumidor começam em R$ 452, o que representa quase a metade do valor cobrado atualmente pelas opções disponíveis no comércio. A farmacêutica elaborou um plano financeiro específico estruturado para acompanhar os primeiros três meses de terapia do paciente.

Dentro deste modelo promocional de introdução, o lote contendo o número de canetas com dosagem adequada para suprir o ciclo de 90 dias de tratamento será comercializado pelo valor de R$ 863,23, fazendo com que o gasto médio mensal do usuário fique fixado em R$ 287 durante a etapa inicial do acompanhamento médico.

A partir do quarto mês de tratamento, quando há necessidade de ajuste de dose, a unidade individual da caneta passará a custar R$ 498, seguindo a mesma previsão de lançamento para a segunda metade de junho.

A diretoria da EMS projetou ainda um pacote combo composto por duas canetas de dosagem de 1,0 miligrama pelo preço fechado de R$ 896, embora este formato específico de embalagem ainda dependa de uma data oficial para o abastecimento nas gôndolas.

Para garantir o atendimento da demanda imediata da população, a indústria farmacêutica disponibilizará um lote inicial composto por mais de 500 mil canetas aplicadoras nesta primeira onda de logística de abastecimento nacional.

*LAMAIS

*Foto: Reprodução